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sexta-feira em east london
i’m not in love
prometo que meu próximo post será um post feliz
só pra garantir
talvez melhor escrever amanhã
adoro sábados quatorze
Escrito por bárbara às 10h45
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lilás é a cor de um dia triste
ou
talvez um pouco tarde para homenagens

hoje faz um ano e eu ainda não acredito. eu não vi, não estava lá, então pra mim não aconteceu. na vida dos outros isso é normal, acontece. pessoas morrem a todo tempo. ainda mais avôs e avós, que geralmente são os primeiros. comigo foi a primeira vez e eu não estava lá. deixei todo mundo sofrendo sozinho e fiquei aqui fingindo que não aconteceu. hoje liguei pra casa, pra checar se todos estavam bem. lógico que não estavam. quem está bem sou eu, porque nada aconteceu. eles lá estavam numas de relembrar e sofrer de novo. senti a minha consciência pesando por não estar sofrendo junto. e todos os detalhes que eu evitei de saber, resolvi perguntar. pra alguém de fora da história, de fora da família, mas que estava lá no dia. e fui perguntando e imaginando e entendendo e me encolhendo na cama e ouvindo com atenção e perguntando mais e ficando com dor de estômago e quieta ouvindo e querendo mais detalhes e escutando e com vontade de vomitar e com a cabeça lá longe e girando e perguntando mais e mais e vivendo tudo aquilo, um ano depois. agradeci pelo relato, me tranquei no quarto e fiquei sozinha em meu luto tardio. hoje minha avó morreu. eu não chorei. tomei um chá e fiquei deitada no escuro esperando o sono chegar. o estômago doendo como nunca antes doeu na vida. o céu começou a ficar lilás, o remédio começou a fazer efeito, é lindo o céu lilás e o sol que nasce amarelo. lilás era a sua cor preferida. o novo dia começa para eu poder dormir.
Escrito por bárbara às 21h32
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