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Velocidade três
Depois de ter começado uns cinco textos de forma patética, melhor eu ir dormir. O texto que eu tenho agora na cabeça só faria sentido se publicado no sábado, dia quatorze. Nem isso eu consegui. Cheguei tarde e publiquei à zero hora do dia quinze. Deletei. Apenas um segundo e todo sentido foi embora. Muita coisa funciona assim, pelo menos pra mim. Agora o sábado virou ontem e eu perdi meu texto. Deletei sem dó, como protesto a mim mesma, contra este dia que já vai tarde. Eu bem que pensei hoje às onze e meia da manhã, que o melhor era não levantar da cama. E de fato foi um dia ordinário e sem sentido. Que nem merecia o texto deletado.
Algumas frases conseguem me incomodar de verdade. Algumas delas, uma vez ditas, não saem da minha memória nunca mais. Outras eu tento esquecer e às vezes até consigo. É por isso que eu tenho pensado em parar de ir às aulas de semiótica. Encontrar sentido em tudo uma hora cansa. E o professor faz questão de mostrar as vírgulas. As pausas. Pra ele não importa se a pessoa quis ou não dizer tal coisa, o que importa é que ela disse. O professor me ensinou a colecionar mal-entendidos.
Hoje eu acordei pra tentar salvar um dia que já nasceu desenganado. Fiz um esforço hercúleo, como diz uma amiga, mas não teve jeito. Era um fracasso anunciado. Pulei de um carro em movimento. E não tem nada de poético nisso. A minha ferida é superficial e arde pra eu lembrar que os palhaços são tristes. E não tem nada de poético nisso também. Amanhã ela já sara e tudo fica resolvido. É que o dia nasceu pra ser assim mesmo, como uma dessas frases do meu estoque de incômodos. Amanhã é outra história.
Escrito por bárbara às 00h00
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